Expressão do encontro com o desconhecido, a ansiedade consiste no medo de que alguma coisa boa não aconteça ou no medo que alguma coisa má aconteça. Mas as diferentes perturbações da ansiedade correspondem a fenómenos diferentes, dependem da estrutura de personalidade da pessoa e são formadas de maneira diferente.
A ansiedade é um fenómeno normal que provém de uma perda temporária da coesão interna. É frequente em momentos de mudança, pela perda de alguma coisa e a sua substituição por outra. Os estados ansiosos normais estão na fronteira entre o desejo e o medo, a ânsia e o receio e são transitórios se formos flexíveis e capazes de manter a nossa coesão identitária, ao mesmo tempo que aderimos e nos transformamos em novas situações.
A Perturbação de Ansiedade Generalizada consiste num padrão de nervosismo e preocupação excessiva em relação a medos imaginados. É frequente em funcionamentos onde predominam mecanismos de controlo, como tentativa de tornar o mundo e o futuro previsíveis, mas em que a pessoa se encontra muito dependente das contingências da realidade externa.
A Perturbação de Pânico é desencadeada no corpo – diferentemente da Perturbação da Ansiedade Generalizada, que é desencadeada no pensamento. Manifesta-se subitamente, como crises agudas, que têm início em gatilhos somáticos que se prolongam para o espaço psíquico e que originam medo que outra crise de pânico volte a ocorrer. No desenvolvimento da perturbação de pânico, existe uma sobreatenção sobre o corpo, um funcionamento em circuito fechado entre o medo e o corpo, normalmente associado ao não desencadeamento de processos de simbolização. Os sintomas de um ataque de pânico incluem aumento da frequência cardíaca, sensações de perda do controlo e de enlouquecer, sentimentos de perda de identidade e do contacto com a realidade.
A Perturbação de Stress Pós-Traumático é caracterizada por sintomas como flashbacks, humor depressivo, irritabilidade ou reactividade, e que podem ou não ser associados de forma consciente ao evento traumático. Por vezes, a associação ocorre somente a meio do processo terapêutico, quando os sintomas de stress parecem surgir sempre no mesmo tipo de situação, perante estímulos semelhantes aos de um evento do passado do sujeito. É frequente, no momento do trauma, a pessoa – por vezes a criança – adaptar-se, e só depois, num segundo momento, perante situações semelhantes, surgirem os sinais de angústia. O Stress Pós-Traumático pode não incapacitar a pessoa de manter a rotina do quotidiano, mas impedi-la de progredir em áreas específicas da sua vida, como as relações afectivas e o trabalho.
Por serem experiências associadas ao contacto com o desconhecido, as pessoas que sofrem de Perturbações da Ansiedade tendem a recuar ou a recolher-se no ambiente familiar, o que gera um empobrecimento da sua experiência e universo. No entanto, as diferentes formas de ansiedade costumam ter um prognóstico favorável no contexto psicoterapêutico. São tratadas indirectamente e respondem à abertura de um espaço de reflexão, a um aumento do suporte à realização e à possibilidade de sonhar o futuro com prazer e satisfação. Assim a ansiedade se dissipa, porque ela jamais desaparece, mas pode jogar a nosso favor se a pudermos escutar.
