Timidez

Sendo um traço de personalidade caracterizado pelo evitamento do contacto social e associado à introversão, à contenção afectiva e à orientação para o mundo interior, nem todas as formas de evitamento do contacto social são devidas a timidez. Podem ter origem num conflito entre o desejo e a angústia no contacto com o outro – como no caso da neurose fóbica-, na falta de desejo de estar com o outro – como nas organização esquizóides -, ou ainda no evitamento da socialização pela receio da emergência de sentimentos de menos-valia associados a uma problemática narcísica.

A “verdadeira” timidez tem como afecto dominante a vergonha do desejo de estar com o outro. A revelação da própria interioridade é tão problemática que a pessoa não consegue viver a socialização de forma lúdica. A timidez tende a melhorar em situações mais estruturadas, em que as regras são mais claras e as interdições bem colocadas, ou com a reunião com outros tímidos, onde as trocas afectivas podem ser vividas de forma mais progressiva e segura.

Reconhecer e compreender os sentimentos e reflectir sobre situações específicas em que a pessoa se sinta envergonhada pode ajudar. Fazer perguntas sobre o outro também reduz a introversão. Mostrar interesse genuíno nas outras pessoas facilita a comunicação. A psicoterapia também pode ser muito útil. Falar com um psicólogo ajuda não só a compreender os próprios medos e receios, como estimula a capacidade de abertura e relação com o outro.